<$BlogRSDUrl$>

sábado, janeiro 27, 2007

em circunstâncias normais só poderia causar estarrecimento 

Tem neguim querendo transformar o Brasil numa Venezuela !

p.s. Quem é esse Leôncio Martins Rodrigues, se não um débil mental ?


Tema descabido
http://www.estado.com.br/editorias/2007/01/27/edi-1.93.5.20070127.1.1.xml

Por tratar-se de reflexão de um cientista político respeitado, a hipótese da pretensão de Lula a um terceiro mandato, aventada em entrevista do professor Leôncio Martins Rodrigues a este jornal, provocou uma frenética agitação entre políticos e comentaristas, especialmente entre oposicionistas. A opinião geral de que esta é uma possibilidade mais que improvável, pelo menos por enquanto, não elide o fato de tratar-se de um tema exemplarmente descabido e inoportuno. Diga-se, de antemão, que se houve a intenção de líderes oposicionistas de provocar prematuramente sua discussão para torpedear no nascedouro eventuais ambições continuístas do presidente Lula, a discussão do tema, neste momento, pode levar a efeito exatamente contrário, ou seja, acostumar o distinto público à idéia - que em circunstâncias normais só poderia causar estarrecimento.

É de uma obviedade ululante - para usar a ênfase rodriguiana - que, se oferecessem a Lula (e não só a ele!) a possibilidade de exercer uma fileira contínua de mandatos presidenciais, ele não a recusaria, mesmo que “docemente constrangido”, para usar a expressão cunhada por Carlos Lacerda para definir o sentimento com que o marechal Castelo Branco aceitou a prorrogação do próprio mandato. (Mas, justiça seja feita, a verdade é que nossa ditadura militar teve o pudor, inédito na história das ditaduras, de limitar os mandatos dos generais-presidentes.) Em compensação, já houve no Brasil quem tivesse ficado 15 anos contínuos no Poder e a ele tivesse voltado (ao final por eleição).

E impossível nada parece sob estes tristes trópicos, mesmo que nosso sistema democrático tenha evoluído muito e disponhamos de dimensões institucionais bem superiores à de alguns de nossos hermanos de Latinoamerica. O que é incrível é como pessoas lúcidas podem empenhar-se em forjar “profecias auto-realizáveis”, ou incentivar cobiças alheias que vão ao encontro de seus próprios medos!

Claro está que, da parte do próprio Lula, tais especulações são dulcíssimas melodias levadas aos seus ouvidos, sobre as quais manterá um prazeroso silêncio - que poderá ser quebrado mais adiante se sentir-se suficientemente forte para tentar a inédita ousadia do “tricampeonato”. Afinal, não há como deixar de considerar o argumento-chave do professor Leôncio: “Não é fácil acreditar que, dispondo de, digamos, uma aprovação de 60% ou 65% no seu último ano, e tendo uma quantidade tão grande de subordinados na máquina petista e aliada, ele (Lula) mande parar as campanhas em favor de sua permanência. Há ainda o discurso dos movimentos populares e sindicais, de que se ele sair o neoliberalismo volta e estraga todo o progresso obtido.”

O fato é que há os que chegam ao despropósito de considerar que o recém-lançado Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) é, justamente, a plataforma de lançamento do terceiro mandato presidencial. Não estaria havendo, aí, a supervalorização de um programa de governo que está mais para o vaporoso do que para o substancioso, como já se percebeu? Outros acham que a imagem desgastada do Congresso Nacional, a falta de uma boa bandeira oposicionista tanto quanto a inexistência de alguém, nos quadros petistas - ou de seus aliados -, com cacife político para suceder ao presidente, tudo isso conduziria, forçosamente, à solução via terceiro mandato presidencial.

Bem é de ver, no entanto, que aí estão sendo subestimadas a força da opinião pública e a capacidade de mobilização da sociedade brasileira (certamente bem maior do que a venezuelana, a boliviana e a equatoriana, juntas) na defesa de arraigados princípios democráticos, que há muito adotamos. Além disso, ninguém tem o direito de duvidar que, até agora pelo menos, são sinceros os votos de Lula de fidelidade a esses princípios consagrados na Constituição.

Embora aqui não nos cansemos de criticar governantes que não saem do palanque eleitoral, é preciso dar-se o mínimo de crédito de confiança aos que, apesar do primado de suas ambições eleitorais - já realizadas ou por realizar -, pensam também no trabalho em favor do interesse público, com o qual constroem as biografias que pretendem legar. Nem tudo, enfim, consiste em projetos de conquistas de novos mandatos. É preciso que políticos deixem de ficar obcecados com a obsessão que vislumbram em seus adversários.

sábado, janeiro 20, 2007

A paisagem, pelo menos, deve ter compensado o esforço 

Mais uma vez o Estadao sintetiza muito bem mais uma trapalhada de Lula Nhonho. Hugo Chaves, Evo Kiko, Nestor Madruga e Michelle Florinda dominaram a cena. Felizmente, Dilma do 71 ficou de fora, minimizando a magnitude de mais este estrago na politca externa brasileira.

Perda de tempo
http://www.estado.com.br/editorias/2007/01/20/edi-1.93.5.20070120.3.1.xml

Não poderia faltar uma dose de baixaria na lamentável e inútil conferência de cúpula do Mercosul, no Rio de Janeiro, encerrada ontem. Quem previu uma reunião apenas improdutiva e marcada pela retórica terceiro-mundista pecou por otimismo. A realidade foi pior. O presidente da Bolívia, Evo Morales, meteu o bedelho em assuntos internos da Colômbia, criticando sua orientação econômica e seus vínculos com os Estados Unidos. O presidente colombiano, Álvaro Uribe, foi obrigado a responder. O guru de Morales, o venezuelano Hugo Chávez, interveio em sua defesa, acusando Uribe de haver exagerado na resposta. Nenhuma surpresa.

Morales e Chávez não vieram ao Brasil para discutir de forma civilizada projetos de interesse comum, mas para ditar palavras de ordem e proclamar novos tempos para a região. O presidente venezuelano disse ter vindo para descontaminar o Mercosul do neoliberalismo e atacou os Estados Unidos, o FMI e o Banco Mundial. Seu acólito boliviano, que já dissera, em Cochabamba, que seu país quer ingressar no Mercosul para fazer nele 'profundas reformas', repetiu a mensagem de Chávez e denunciou o mau desempenho das economias ainda contaminadas pela doença neoliberal. Se o anfitrião do encontro, presidente Luiz Inácio Lula da Silva, tiver tido um instante de lucidez, deve ter corado até os artelhos com as agressões e gozações que sofreu do companheiro Chávez. Mas é pouco provável.

O novo presidente do Equador, Rafael Correa, também da turma neobolivariana, aproveitou a ocasião para pedir assessoria argentina sobre renegociação - calote, em linguagem normal - da dívida externa. Os ministros de Economia Felisa Miceli, da Argentina, e Ricardo Patiño, do Equador, reuniram-se no Rio para formalizar o acordo de assessoria.

Assuntos importantes para o Mercosul, como se previa, ficaram em plano muito recuado. A proposta brasileira de condições especiais de comércio para as economias menores do bloco, Paraguai e Uruguai, ficou suspensa, por pressão argentina. O governo argentino também se opôs à admissão da Bolívia em condições favorecidas. Os dois assuntos foram entregues a grupos de trabalho. Embora derrotado, o presidente Lula não deve ter ficado muito infeliz. Em seu primeiro mandato foram criados 96 grupos de trabalho, para estudar assuntos tão variados quanto a pesca da sardinha verdadeira e o atendimento de grande número de alcoólatras pelo SUS.

Mas não só o governo argentino se opôs à concessão de condições especiais de comércio - mudança na tributação e na exigência de conteúdo regional - aos dois sócios menores. A Confederação Nacional da Indústria não havia sido consultada e estrilou. A diplomacia brasileira, portanto, não havia combinado o jogo nem com os parceiros externos nem com o público interno. Uruguaios e paraguaios, naturalmente, não gostaram e isso deve ter reforçado sua disposição de buscar um acordo de livre-comércio com os Estados Unidos. Como consolação, ganharam a promessa de financiamento para obras de infra-estrutura e para programas de tecnologia.

O presidente Lula e o chanceler Celso Amorim gastaram parte de sua retórica defendendo a inclusão da Venezuela, já consumada, e a da Bolívia, ainda em negociação. É preciso, segundo o presidente Lula, aceitar a diversidade no Mercosul. Mas ele parece ter esquecido um detalhe: essa diversidade é limitada, até agora, por um compromisso de preservação das instituições democráticas.

Uma das poucas manifestações de bom senso foi o pronunciamento da presidente chilena, Michelle Bachelet. Não basta, segundo Bachelet, ficar falando sobre integração sul-americana. É preciso desenhar um roteiro de cooperação. É necessário formular um marco normativo para um espaço econômico, definir o caminho para uma zona de livre-comércio no prazo de dez anos, investir na criação de uma infra-estrutura regional e trabalhar, desde logo, para maior liberalização do intercâmbio de bens.

Não se avançou em nenhum desses temas, exceto pela assinatura de um compromisso entre Brasil e Venezuela com a fixação de prazos para estudos, até dezembro de 2008, de um projeto de gasoduto até Recife. Também para isso não seria necessário armar um circo tão amplo diante da Praia de Copacabana. A paisagem, pelo menos, deve ter compensado o esforço.

quinta-feira, janeiro 04, 2007

Mais, ainda 

Sem luz, mas à espera de computador
http://www.estado.com.br/editorias/2007/01/04/ger-1.93.7.20070104.1.1.xml

Lula promete informatizar toda a rede pública, mas mais de 40 mil escolas não têm sequer energia elétrica !


A volta do 'participacionismo'
http://www.estado.com.br/editorias/2007/01/04/edi-1.93.5.20070104.3.1.xml

Derrotado nas eleições para a Prefeitura da capital e para o governo estadual, o PT está ressuscitando em São Paulo os antigos métodos que tanto utilizou no passado para dificultar e até inviabilizar o exercício do poder pelos partidos adversários. Um desses expedientes é a defesa de eleições diretas para cargos de chefia nos diferentes órgãos da administração pública. Conhecida pelo nome de “participacionismo democrático”, a tática permite ao PT mobilizar filiados para controlar alguns desses cargos, quebrando com isso a cadeia de comando em setores estratégicos da máquina governamental (...)

PAC - Programa de Aceleração do Cinismo 

" a mesmice seria o menor dos males "
Isto não é sensacional ?


Retrocesso acelerado
http://www.estado.com.br/editorias/2007/01/04/edi-1.93.5.20070104.1.1.xml

A palavra mesmice talvez se revele, afinal, imprópria para descrever o que poderá ser o segundo mandato do presidente Lula. A previsão de quatro anos de déjà vu é compreensível, no entanto. Toma como referência o contraste entre o sonante palavrório lulista destes dias, a começar do “acelerar, crescer e incluir” prometidos no discurso inaugural, e, de outro lado, a sensação igualmente habitual de que o comandante do governo não sabe para onde conduzi-lo nem, muito menos, perde o sono por causa da paralisia que o domina desde que a administração foi capturada pela reeleição. A realidade é outra, pode-se dizer. O governo, nisso incluído o esquema petista de poder, já começou a rodar a 100 por hora - com a alavanca de câmbio na posição de marcha à ré, bem entendido. O que se vê acelerar é um retrocesso perto do qual a mesmice seria o menor dos males.

No plano administrativo, a situação deixa saudade dos primeiros tempos do primeiro mandato, o que não é propriamente pouca coisa. Então, o bater de cabeças dos noviços aflitos por reinventar a roda, enquanto trocavam caneladas na disputa por espaços de mando, era audível em todo o Planalto Central, e os erros se empilhavam uns sobre os outros. Mas, por desastrados que fossem os efeitos das ações da nova elite dirigente, havia uma atmosfera de operosidade, um clima de mangas arregaçadas. Agora, o Ministério se tornou literalmente o proverbial deserto de homens e idéias. Seis dos atuais titulares apenas esperam a hora de serem convocados para sair. Outro, o da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, acompanha o escoar dos dias até a saída que, por ele, já teria se consumado. Outro ainda, Luiz Fernando Furlan, da Pasta crucial do Desenvolvimento, faz saber que voltará a cuidar de suas empresas.

Os demais, em regra, se limitam a fazer expressão corporal de ministros, por não saber o que será feito deles quando, finalmente, Lula negociar a sério com os partidos coligados a escalação do time para o segundo tempo - o que só deverá ocorrer em fevereiro, depois da instalação da nova legislatura e do desfecho da pendenga pela presidência da Câmara. (A do Senado ficará com o arquigovernista Renan Calheiros, do PMDB.) A Esplanada parece uma escola em férias, e não é força de expressão. Treze ministros estão para tirar ou já tiraram períodos variáveis de descanso. Fazem o que fará a partir de amanhã, por 10 dias, o chefe para quem há de ter sido muito pouco o lazer pós-eleitoral que se concedeu enquanto estalava o apagão aéreo no País. Lula precisa de fato retemperar as energias consumidas na estafante campanha que, bem-feitas as contas, durou quase quatro anos.

Dirão os cínicos que as suas férias têm a vantagem de proporcionar aos brasileiros 10 dias sem discursos presidenciais. Outros se lembrarão do maldoso ditado italiano Primo far niente, dopo riposare, mas não se pode culpá-los por isso. O mesmo Lula do “acelerar, crescer e incluir” já adiou pela quarta vez o anúncio das medidas de destravamento da economia, cujo único indício de vida futura é a sigla PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) da lavra dos atarefados redatores planaltinos. O retrocesso leva a melhor sobre a mesmice também em matéria de ética. Duas frases em um discurso de 37 minutos e 3.700 palavras, na posse perante o Congresso, foi tudo que o prolixo presidente achou que devia falar a respeito do tema, depois de um primeiro mandato poluído sucessivamente pelo Waldogate, o mensalão, a quebra do sigilo de um caseiro e o dossiê Vedoin.

Não menos eloqüente - e coerente - foi a volta do deputado paulista Ricardo Berzoini à direção do PT, passados três meses da descoberta de que se subordinavam a ele, no comitê central da reeleição, os “aloprados” responsáveis pela tentativa de comprar da mafiosa família patrocinadora dos sanguessugas no Legislativo material que incriminaria o tucano José Serra quando ministro da Saúde. O afastamento de Berzoini da direção da campanha e do partido foi exigido por Lula porque nada deveria se interpor entre ele e mais quatro anos no poder. Agora, alvo alcançado, o que passou passou. Borrón y cuenta nueva, dizem os espanhóis. Ou, na famosa expressão daqueles que o presidente, confundindo fatos e conceitos, diria serem terrostas, “está tudo dominado”. Abandonada a tese da refundação da legenda e da expiação dos delitos praticados em prol de Lula, o petismo lança o seu PAC - Programa de Aceleração do Cinismo.

This page is powered by Blogger. Isn't yours?